Em Goiânia, modelos plus size dão show de autoestima em ensaio sensual

Em Goiânia, modelos plus size dão show de autoestima em ensaio sensual

Márcio Souza, do JGDN

 

As modelos plus size do Universo Plus Goiás deram um show de autoestima e aceitação durante um ensaio pra lá de sensual. Animação e alegria não faltaram nos bastidores. A sessão de fotos reuniu 15 mulheres, no Afrodite Motel, em Goiânia.

“Foram dias de muita ansiedade. É uma sensação muito diferente, porque a maioria de nós gordinhas plus size viemos de um histórico depressivo, então todas estavam com uma expectativa muito grande”, contou Glaucia Maria Rocha.

Segundo ela, ninguém de sua família sabia do ensaio sensual. “Lá em casa ninguém sabe que eu fiz. Mas tudo bem, isso é para mim. Quando ver o resultado vão gostar muito, porque vão ver que eu estou bem, que esse momento tá me fazendo muito bem”.

Glaucia ressalta que o projeto ajuda muitas mulheres a se aceitar como são. “Eu estou me sentindo a mulher mais linda do mundo. A feição de cada uma aqui quando chegou e agora depois do ensaio é tudo maravilhoso. Perfeito”, disse.

Os ensaios são feitos por uma equipe composta de fotógrafos, coordenadora e making off.

Loana Silva, idealizadora do projeto, detalha que momentos como este é transformador na vida das plus size. “As meninas geralmente chegam tristes, deprimidas, cheias de críticas de amigos, familiares, do próprio marido. E quando elas começam a se enxergar de outra forma, elas começam a se amar, a se cuidar mais, e é lindo essa transformação. Os filhos agradecem porque a mãe está mais alegre. É a maior satisfação fazer parte desse trabalho”, frizou.

A modelo Aline Paula nunca fez fotos sensuais de lingerie, mas adorou a proposta do ensaio. “Eu agarrei o projeto como uma forma de poder mostrar para as pessoas que não somos só um rostinho bonito, que dá para trabalhar com isso [modelo plus size]. Em sua fala, ela disse ainda que tem apoio dentro de casa. “Meu marido me apoia em tudo. Até me ajudou a escolher as lingeries, me trouxe para a sessão de fotos. Ele queria até ficar pra poder acompanhar o ensaio, mas aqui é mulher demais e eu ia ficar com ciúme (risos)”.

Segundo ela, mesmo com boa autoestima, ouvir piadas sobre seu corpo a incomoda. “Por mais que você esteja linda, sempre vai escutar:”hum… é bonita mas tem uns dez quilos a mais””. Entretanto, Aline afirma que as pessoas estão mudando o conceito de beleza nos dias atuais. “Hoje em dia as pessoas estão quebrando esse tabu de que ‘plus não pode isso ou aquilo’, estão olhando com os olhos diferentes… não vem de todo mundo, mas de uma grande maioria”, ressaltou.

Denise Brito foi uma das primeiras a participar do projeto Universo Plus Goiás, e conta que, na época, estava passando por uma forte depressão. “Eu não me aceitava, não conseguia ver valor em mim, o meu potencial”. Ela conta ainda que a partir do momento que conheceu outras mulheres com o mesmo intuito de vencer a baixo autoestima, foi recuperando seu bem estar emocional. “Conheci outras mulheres e depois disso comecei a ver potencial em mim que eu nem mesma não sabia que eu tinha. Hoje, eu não tenho mais depressão”, pontuou.

Para Denise, a importância do projeto vai além do físico, é um combate à discriminação com pessoas de biotipos diferentes dos modelos tradicionais. “Têm muitas mulheres que procuram a gente no Instagram e pessoalmente também, falam que o projeto é muito bacana, que hoje consegue se aceitar”.

Mesmo acostumada a fotografar, tirar fotos sensuais foi desafiador. “É a minha primeira vez e bateu aquele nervosismo, porque você vai estar mostrando mais o corpo”. Ela completa que já deixou de colocar bíquini por ser gordinha. “Estava em lugares maravilhosos, mas não usava porque estava com vergonha”.

Denise ressalta que apesar de ser plus size, a saúde e bem estar andam lado a lado. “Eu me importo com a saúde. Não é porque a gente é gordinha que vamos comer besteiras, comer mal e não fazer exercícios. Muito pelo contrário”.

Ela reforça o amor que sente em fazer parte do projeto desde o comecinho. “Eu estou muito feliz porque o grupo vem crescendo. E muitas vezes chegam ‘murchinhas’ e depois você vê a evolução da pessoa. Então saber que você ajuda outras pessoas, desperta o bom de cada uma, é maravilhoso. É contagiante”, declarou.

Apesar do ensaio ousado, a modelo Juliany Bianque preferiu usar um look mais discreto. “Eu não sei como vai ser a aceitação lá em casa, então eu preferi não fazer fotos tão ousadas. Espero que as fotos tenham uma boa repercussão, que as pessoas aprendam a respeitar a plus size, porque nós somos sensuais, somos bonitas”.

Para ela, além do preconceito contra as mulheres gordas, o machismo contra elas também predomina na sociedade. “Ainda há um tabu de que as mulheres gordinhas são salientes. Nós somos mulheres, donas de casa, profissionais. Somos esposas, mães. Não é só um símbolo sexual. Não sei como vai ser a reação lá em casa com as fotos de hoje, mas espero que não vejam como vulgar. Existe o nú artístico que eu acho uma coisa totalmente profissional que eu faria, mas por causa dessa visão que a sociedade tem, eu prefiro me encobrir mais e ir me liberando aos poucos”, disse.

Ela defende que foi a época em que as gordinhas só saiam de casa de moletom e tênis, método utilizado para esconder as curvas do corpo. “As pessoas tem que entender que não tem mais essa de que mulher gordinha só pode usar moletom e tênis. Não existe isso. Ela pode usar o que ela quiser. Ela é livre para usar as coisas que ela bem entender, desde roupas mais ‘senhora’ a mais sensual”, concluiu.