Falta de Respeito para com a Mulher

Falta de Respeito para com a Mulher

Por: Joaldo Miranda Carvalho

Em plena comoção nacional pelo assassinato de Tawanna, na Cidade Tiradentes, a violência da Polícia Militar de São Paulo não recua, não hesita, não se constrange. Ao contrário, reafirma um padrão, um método, uma concepção de mundo. Não se trata de desvio, mas de prática. Não é exceção, é regra.
Na Avenida Paulista, símbolo de poder e vitrine do país, uma mulher trabalhadora, diarista, foi cobrar o que lhe era devido. Não havia crime, não havia ameaça, havia apenas a dignidade ferida de quem trabalhou e não recebeu. Com ela, a filha de sete anos, testemunha involuntária de um país que naturaliza o esmagamento dos seus.

Os patrões, caloteiros, recorreram à polícia. E a polícia respondeu como tem respondido historicamente. Com força desmedida, com brutalidade, com desumanização. O que se viu foi uma cena que envergonha qualquer sociedade que se pretenda minimamente justa. Oito agentes do Estado agindo não como garantidores da lei, mas como braço armado de interesses privados. Arrastaram a mulher. Ignoraram seus apelos. Ignoraram o choro da criança. Algemaram a vítima. A colocaram na viatura, como se criminosa fosse.

Não há ambiguidade possível. Quando o Estado escolhe a quem proteger e a quem violentar, ele revela sua face mais crua. E ela tem cor, tem classe, tem endereço. É preta, pobre, periférica. Seja mulher, seja jovem, o destino parece já traçado antes mesmo de qualquer abordagem.

O que aconteceu não é apenas mais um episódio. É um retrato. Um retrato duro, doloroso, revoltante. Um retrato de uma polícia que, em vez de servir ao povo, o submete. Que, em vez de mediar conflitos, os agrava. Que, em vez de proteger a criança, a condena a assistir ao esmagamento de sua própria mãe.
Diante disso, o silêncio não é opção. A neutralidade é cumplicidade. É urgente interromper esse ciclo, e isso passa inevitavelmente por escolhas políticas. Não se trata apenas de indignação momentânea, mas de responsabilidade histórica. Cada voto, cada apoio, cada omissão ajuda a sustentar ou a transformar essa realidade.

Ou se enfrenta essa lógica agora, ou continuaremos a assistir, impotentes, à repetição infinita do mesmo horror.

Esse é a escória de nossa polícia militar.