Cresce o número de violência doméstica no Brasil
Por Bárbara Zanatta, do JGDN
Nem sempre o lar é um lugar seguro para as mulheres. Muitos casos de violência doméstica vão além pela falta de socorro.
Na primeira atualização de um relatório produzido a pedido do Banco Mundial, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) destaca que os casos de feminicídio cresceram 22,2%, entre março e abril deste ano, em 12 estados do país, em comparação com o mesmo período de 2019. Intitulado Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, o documento tem como referência dados coletados nos órgãos de segurança dos estados brasileiros.
A professora de Artes Angélica Oliveira relata que, após 15 anos de relacionamento, passou pela primeira e única situação de violência doméstica, através de seu companheiro.
”Sofri muito. Começou em 2016, estávamos em casa e percebi uma mulher no celular dele, peguei o aparelho e, na mesma hora, ele veio para cima de mim. Meu filho viu tudo”, afirma Angélica.
De acordo com a professora, seu companheiro a atacou colocando o braço dela para trás, em seguida deu um mata leão no rosto, fraturando os ossos da face, deixando-a desacordada.
”Fraturou dois ossos no meu rosto (no osso em cima da testa e mais abaixo). Fui ao pronto socorro com muito sangue, tive que fazer cirurgia. Ele até foi comigo no dia. Em seguida contei para uma amiga e meu filho que me acompanharam em consultas e exames após a cirurgia. Na época, até pensei em voltar para ele, queria minha família de volta”, conta.

Para Angélica, esse tipo de situação é complicada, principalmente na questão familiar, muitas mulheres têm medo de denunciar. Outro fator agravante é a falta de amor próprio e pressão do companheiro.
”As mulheres têm que denunciar! Não podem ficar caladas, se fosse hoje eu denunciaria. Penso que toda mulher deve se valorizar mais, se amar e não perdoar a agressão de forma alguma”, pontua Angélica.
Após anos de trauma, a professora finalmente conseguiu se libertar. Ela conta que foi através da fotografia que se redescobriu novamente. ”Quando comecei a fotografar e trabalhar como modelo Plus Size, me libertei desse sentimento ruim. Ele me colocava para baixo, sofria pressão na presença dele. Hoje entrei com uma ação de dissolução de sociedade de fato e partilha de bens. Aguardo resultado”, frisa.
O governo de Goiás, por meio da Superintendência da Mulher e da Igualdade Racial, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) neste momento de isolamento social devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, disponibiliza, desde abril, o aplicativo Goiás Seguro, que tem a ferramenta “Alerta Maria da Penha”.
O dispositivo foi desenvolvido para que qualquer pessoa possa, por meio do celular, acionar a Polícia Militar para ajudar mulheres em situação de violência doméstica. Criado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele faz parte das medidas do Pacto Goiano pelo Fim da Violência Contra a Mulher.
Fotos: Arquivo Pessoal / Internet